Dia Mundial da Saúde Mental
Os jovens apresentam maiores níveis de ansiedade, depressão e ideação suicida do que gerações anteriores. Seria isto de esperar de uma geração conhecida por ser “a melhor preparada de todas”?
Quando nos dizem que somos a geração melhor preparada de que há memória, uma das mais privilegiadas de sempre, é natural que nos assombre o fantasma do insucesso. Se os meus antepassados não tinham tão boas condições como eu tenho porque é que não consigo uma carreira como eles conseguiram? Porque é que não consigo ter uma casa como eles conseguiram?
Crescemos a pensar que nos esperavam oportunidades. Crescemos expectativas. Crescemos para ter estudos superiores e uma carreira de sucesso mas acabamos num ciclo vicioso limitado a estágios abusivos. Crescemos para ser livres mas vedaram-nos a emancipação. Crescemos para nos expressarmos mas sucumbimos à pressão de não atingir o estilo de vida ou o aspecto que descobrimos nas redes sociais…
Frequentemente vemos a sociedade acusar os jovens de serem preguiçosos e presunçosos. Contudo, existem estudos que dão mais ênfase a uma outra característica preponderante nas gerações mais novas – o perfeccionismo.
As razões pelas quais se verifica uma maior tendência para problemas do foro psicológico e psiquiátrico nas camadas mais jovens da sociedade não estão totalmente esclarecidas. No entanto, há muito quem acuse o “perfeccionismo multidimensional”, a necessidade de preencher um número de critérios ou requisitos que não pára de aumentar.
Ao mesmo tempo, demonstra-se uma relação vincada entre o perfeccionismo e condições como a ansiedade e a depressão.
Se a sociedade nos fez crescer no seio de oportunidades nunca antes cedidas a outras gerações, a verdade é que fez crescer igualmente uma pressão social e económica nunca antes vista. Não sabemos lidar com ela. Tentamos lidar com ela. Seria mesmo suposto ter de lidar com ela?
Preocupamo-nos com a nossa saúde mental mesmo quando não sabemos o que é saúde mental, mesmo quando desconhecemos saídas.
No espaço de participação pública que nos deixam apresentamos esta preocupação como bandeira. Definimos até a saúde mental como uma das nossas causas principais, destacando-a como uma prioridade nas políticas de juventude que propomos à Europa através dos recentemente desenhados Youth Goals.
A saúde mental dos jovens não é só um problema de saúde nem só um problema dos jovens. É um dilema multidisciplinar e uma hipoteca ao presente e ao futuro.
E agora, já nos podem ouvir?
Sara Moura, Conselho Nacional da Juventude
Sabe mais sobre este dia, criado pela World Federation for Mental Health, aqui. O tema deste ano é “Os Jovens e a Saúde Mental num Mundo em Mudança”.

