O Conselho Nacional de Juventude, no Dia do Trabalhador, lança a Campanha "Objetivo 35%: Rumo ao Emprego Jovem". Os protagonistas são atuais líderes políticos, que encarnam o papel dos vários jovens que procuram emprego. Chistine Lagarde, Pedro Passos Coelho, Francisco Louçã, António José Seguro, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e José Manuel Durão Barroso são desafiados, assim, a porem-se na pele dos jovens de hoje em dia, cuja procura incessante de emprego, os contratos precários e os estágios não remunerados são situações recorrentes.
A campanha visa sensibilizar os líderes políticos da actualidade para a urgência do investimento que tem de ser feito na juventude, sob pena de se perder uma geração com grandes potencialidades, qualificações, competências e dinamismo, essenciais ao crescimento e desenvolvimento do país.
Nos próximos dias, os jovens vão ter a possibilidade de enviar propostas e comentários para inverter o aumento do desemprego jovem através do site da campanha (www.empregojovem.pt.vu) ou das redes sociais criadas para o efeito.
Emprego: área prioritária de trabalho do CNJ
O Conselho Nacional de Juventude (CNJ) – plataforma de organizações de juventude – tem como área prioritária de trabalho o Emprego, tendo sido um parceiro de referência na implementação, a nível nacional, do primeiro ciclo do diálogo estruturado, integrado no quadro de cooperação europeu em matéria de juventude, dedicado precisamente ao Emprego. Neste âmbito desenvolveu o projecto Rumo ao Emprego Jovem, durante o ano de 2011. Além das recomendações que resultaram do processo de consulta desenvolvido, o CNJ, em estreita publicação com o Instituto de Direito do Trabalho, promoveu também o Guia de Emprego para Jovens, que pretende ser uma ferramenta útil, de fácil utilização e leitura, através da qual qualquer jovem possa aceder às informações sobre direitos e deveres no mercado de trabalho.
O atual contexto de crise tem marcado o nosso quotidiano, afetando milhares de jovens e tornando o seu presente e futuro mais incertos. A emancipação juvenil está, para muitos, comprometida, aparecendo, cada vez mais, como um sonho que tardará a tornar-se realidade. Por isso, o CNJ, por ocasião do Dia do Trabalhador, lança esta campanha que pretende chamar a atenção para a situação problemática que milhares de jovens atravessam.
35,4% - os números do Desemprego Jovem
Nunca é demais relembrar um problema que afecta diariamente milhares de jovens e cujas perspectivas de melhoria não são animadoras, num panorama de crise que impõe constrangimentos orçamentais.
O cenário do emprego para os jovens tem piorado no contexto de crise e embora seja uma questão que afecta a população em geral, tem uma particular incidência nos jovens. Os recentes dados do INE são alarmante: o desemprego jovem (15 a 24 anos) atingiu uma taxa de 35,4% no quarto trimestre de 2011, sendo mais do dobro da média nacional de 14%. Constata-se que houve um aumento consistente desde o segundo trimestre do ano, quando a taxa de desemprego jovem atingiu os 27%, passando no trimestre seguinte para os 30%. Ao todo, são mais de 156 mil os jovens que não conseguem entrar no mercado de trabalho. O problema torna-se mais expressivo se a estes somarmos os desempregados que têm entre 25 e 34 anos e que totalizavam, no final do ano, 217,4 mil. Nesta faixa etária, a taxa de desemprego também está acima da média e atinge 15,8% da população activa nestas idades.
Precariedades e desemprego - consequências
Igualmente preocupante, é a situação problemática de muitos jovens que, não estando desempregados, encontram-se em situações de emprego menos protegido, onde os vínculos precários são mais comuns em relação a outros segmentos da população.
A precariedade tem várias dimensões que passam pela instabilidade que pode levar à dependência em relação à família; incerteza em relação ao futuro que não permite fazer planos; falta de segurança no trabalho; salários desiguais entre homens e mulheres; dificuldade em conciliar a vida familiar e profissional.
São conhecidos as consequências negativas de uma transição retardada da escola para o mercado de trabalho. Sem perspectivas de emprego com condições, os jovens aceitam trabalhos mal remunerados, desactualizam competências, não enriquecem currículo e lidam com a insegurança persistente. As situações de precariedade repetem-se e tornam-se realidades que se impõem como normais. As desigualdades sociais agravam-se e o espectro dos conflitos sociais pode adensar-se.
Muitas vezes, a solução passa pela emigração e a fuga de cérebros é uma realidade crescente que se traduz na perda do precioso capital humano, que constitui um factor crítico de sucesso para o desenvolvimento do país. Se por um lado a mobilidade dos jovens melhora as suas perspectivas de emprego, devendo por isso ser apoiada, por outro lado deve ser precavido o regresso desses jovens ao país, oferecendo-lhes condições de trabalho dignas. A preservação do capital humano qualificado é determinante para o crescimento económico, social, cultural e até político, sem o qual a sociedade não evolui.
Abordagem urgente do problema
Perante o cenário preocupante do (des)emprego jovem, tem havido um grande enfoque internacional, europeu e nacional nesta matéria. Um dos temas centrais tratados pelo Ano Internacional da Juventude, promovido pela ONU, foi o precisamente o Emprego Jovem, tendo sido identificado como o desafio crítico que requere a acções imediatas dos governos e da comunidade internacional. O último relatório das Nações Unidas sobre a Juventude a nível mundial, publicado recentemente, dedica-se ao “Youth Employment: youth perspectives on the pursuit of decente work in changing times…”. Por parte da UE assistimos a iniciativas como o “Juventude em Movimento” e “Oportunidades para a Juventude”. A nível nacional temos também acções recentes que exemplificam a vontade do governo em combater o problema: é o caso da criação da comissão interministerial para a criação do emprego jovem, na sequência do desafio lançado pela Comissão Europeia, da iniciativa “Estímulo 2012”, entre outras diligências.
O tema do emprego jovem poderá ser objecto de muitos debates e reflexões e com certeza que há muitas visões diferentes para abordar a problemática. Exemplo disso é a discussão do tema no seio do CNJ - plataforma constituída por organizações de juventude das mais diversas índoles. Apesar da diversidade e diferentes pontos de vista que fazem parte da riqueza do CNJ, há um grande consenso em torno da necessidade de abordar urgentemente esta questão, que afecta a população em geral e os jovens em particular.
Apelamos, assim, à concertação de esforços e a uma visão estratégica de longo prazo que invista nos jovens, apostando no capital humano e não desperdiçando a energia, criatividade e capacidade transformadora tão característica da juventude. Sabemos que a aposta nos jovens faz parte da solução para a construção de um futuro que a todos pertence e que em muito depende dos jovens.
O Conselho Nacional de Juventude, no Dia do Trabalhador, lança a Campanha "Objetivo 35%: Rumo ao Emprego Jovem". Os protagonistas são atuais líderes políticos, que encarnam o papel dos vários jovens que procuram emprego. Chistine Lagarde, Pedro Passos Coelho, Francisco Louçã, António José Seguro, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e José Manuel Durão Barroso são desafiados, assim, a porem-se na pele dos jovens de hoje em dia, cuja procura incessante de emprego, os contratos precários e os estágios não remunerados são situações recorrentes.
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